Coaching, Aconselhamento Psicologico ou Psicoterapia?   

28-01-2018

por Isabel Eusébio

Não tendo sido possível ao longo da vida, beneficiar de uma relação construtiva com um adulto emocionalmente inteligente, a ajuda de um profissional de psicologia pode efectivamente fazer a diferença . No momento da decisão, perante a diversidade de oferta de serviços é possível que surjam duvidas ou hesitações sobre o tipo de ajuda ou de profissional a procurar...

  • Aconselhamento psicológico?... Coaching pessoal ? ... Psicoterapia?
  • Coaching de desempenho? ... Orientação profissional ?
  • Coaching de Carreira?... Coaching Executivo? ...
  • Procurar um Coach?... um Psicologo?... um Psicólogo Clinico?

O Coaching

De um modo geral, o conceito de Coaching, refere-se a um tipo de relação profissional e a um processo de aprendizagem, durante o qual um(a) Coach ( ideia de  treinador ou  tutor) estimula o seu cliente - o(a) Coachee, à reflexão e à acção,   no sentido da auto-descoberta, da concretização dos objectivos perseguidos e da realização do seu máximo potencial, a vários níveis.

No âmbito da Psicologia, o Coaching é entendido como uma relação de ajuda, com efeitos preventivos ou complementares de outro tipo de intervenção ( clinica, pedagógica ou organizacional) em que um Psicologo guia o seu cliente, num processo de auto-conhecimento e de desenvolvimento pessoal que promova a autonomia, a aquisição de novas competências psico-sociais e de pro-actividade,    na liderança do seu próprio percurso de vida.

Os fundamentos metodológicos do Coaching, evidenciam muitos dos princípios básicos e dos contributos teóricos de autores carismáticos da Psicologia, nomeadamente da Psicologia da Comunicação e da Psicoterapia, como as noções de escuta activa, presença empática e feedback (entre outras) o que valida o enquadramento da especialidade no âmbito das práticas profissionais de psicologia.

Coaching Pessoal ou de vida

  • Enquanto processo de desenvolvimento pessoal, o Coaching pode beneficiar qualquer pessoa que se deseje conhecer e compreender melhor , tornar-se mais consciente e responsável na interação com outros, promover a confiança em si e potenciar a capacidade de realização e satisfação, nas diversas áreas da sua vida - corporal, intelectual , afectiva, emocional, social  e espiritual. 

    Com a ajuda de um Coach especializado, a pessoa poderá identificar em si e desenvolver competências e qualidades essenciais, para fortalecer a sua identidade e motivação, de modo a definir e realizar os próprios objectivos de vida, em consonância com os seus valores mais fundamentais de auto-realização e bem estar.

    Individuos com experiencias de vida traumáticas, ao procurarem a ajuda de um profissional de Coaching no alinhamento dos seus objectivos, poderão beneficiar mais de um processo de Coaching Psicologico - praticado por um Psicólogo(a) , considerando a sua preparação aprofundada para reconhecer, dar suporte e intervir, em casos ou situações de maior sensibilidade ou vulnerabilidade emocional.                                                     

Coaching de Desempenho e de desenvolvimento de Carreira

  • Quando o objectivo do cliente envolve melhorias de desempenho, na atividade académica ou profissional, um Coach com experiencia em contextos organizacionais, pode ajuda-lo a desenvolver competências psicológicas transversais a múltiplas funções (as chamadas SoftsKills) e outras mais especificas ao seu trabalho e assim contribuir melhor para a sua eficácia e para a obtenção dos objectivos definidos.

O Coaching Executivo

  • Em contexto profissional, um coach executivo (interno ou externo à empresa) tem por missão, ajudar um executivo a progredir no seu desenvolvimento de competências, de acordo com as exigências continuas de aprendizagem e de resultados, associadas a um cargo de direção.

O Coaching Familiar e parental

  • O Coaching aplicado ao contexto familiar, aborda as questões relacionadas com a relação conjugal , a relação parental, o equilibrio de papeis da vida familiar e profissional, a educação dos filhos e todos os temas relacionados,   de acordo com os princípios fundamentais da pratica do Coaching.

O Aconselhamento Psicológico

Trata-se de uma pratica de orientação profissional, no sentido de prestação de apoio psicologico face a  dificuldades na interação familiar, social ou profissional.

Enquanto acto psicológico, esta modalidade distingue-se do Coaching, por se tratar de uma intervenção tendencialmente mais diretiva, em que o Psicólogo pode fornecer informação ou aconselhamento técnico ao cliente. Ao longo do processo, o cliente é orientado na tomada de consciência da sua situação vivencial, na exploração de alternativas e planos de mudança. O processo poderá integrar programas de desenvolvimento de competências, adequados à situação do cliente.

  • No âmbito das consultas de psicologia, é frequente a procura de aconselhamento no domínio da orientação profissional e de carreira, quando o processo requer maior clarificação de factores de natureza psicológica que possam inviabilizar projetos vocacionais ou de carreira.

    No caso de um cliente pré-universitário ou em inicio de carreira, pode tratar-se de um processo que decorre ao longo de 3 ou 4 sessões e envolver a utilização de instrumentos de avaliação psicológica. Numa situação de aconselhamento de carreira ao longo da vida, como por exemplo numa mudança de emprego, transição de carreira ou preparação da reforma, este processo poderá envolver uma metodologia mais qualitativa e fluir ao ritmo da necessidade do cliente.

    A consulta no âmbito da psicologia da família é outra área de recurso ao aconselhamento psicológico, com prevalência nas relações conjugais, parentais e de apoio a situações de crise, como por ex. doença cronica, luto, separação, co-parentalidade após divorcio, etc.

A Psicoterapia

Quando em busca do Sentido do Self ou da sua maturidade, o cliente procura apoio psicológico, ou quando a situação vivencial do cliente justifica um diagnóstico e cuidado clinico, aconselha-se a opção pela Psicoterapia.

Uma questão que se prende com a escolha de um processo de psicoterapia, é a abordagem ou modelo teórico em que se baseia . Ao longo do tempo, os modelos psicoterapêuticos mais conhecidos - Dinâmicos, Humanistas , Cognitivo-comportamentais (entre outros), procuraram distinguir-se através de concepções teóricas e metodológicas próprias, nas quais os profissionais reviam as suas práticas.

O Modelo Construtivista da Psicoterapia , mais recente nesta evolução, surge essencialmente como uma nova abordagem e um novo paradigma na teoria do conhecimento e não tanto como um modelo teórico distinto. De acordo com esta abordagem e em oposição a modelos mais tradicionais,

  • A Realidade não é objectiva, estável e universal mas sim múltipla, contextual e subjectiva. Resulta de uma construção permanente de cada individuo, como forma de organizar a sua experiencia de vida.
  • As Emoções resultam de sensações e processos de conhecimento poderosos que influenciam os pensamentos, na atribuição de significados pessoais nas narrativas de vida. São processos primitivos da experiencia individual e reflectem a organização ou desorganização interna do individuo.
  • A Psicopatologia revela padrões emocionais dolorosos da experiencia do individuo que se traduzem em dificuldades (mais ou menos incapacitantes) de adaptação e desenvolvimento pessoal.
  • O Tratamento psicoterapêutico dá enfase à experiencia e expressão adequada das emoções e à exploração do seu desenvolvimento, tendo em vista a transformação de emoções, significações e narrativas mal adaptativas e causadoras de sofrimento.

Neste sentido, os Psicoterapeutas Construtivistas integram os contributos teóricos e as práticas coerentes de vários modelos, de acordo com as especificidades e as situações de vida subjacentes ao pedido do cliente. Para além das concepções humanistas e dos modelos terapêuticos cognitivo-comportamentais (CBT), destacam-se entre outras, modelos mais focados nas Soluções (Shazer,S. ) nos Esquemas ( Young, J.), nas Emoções (Greenberg,L. ), na Coerência (Eckert, B.), etc.

O Modelo dos Sistemas Familiares Internos ( Schwartz,R.), mais recente na abordagem construtivista, veio assumir o paradigma da multiplicidade de partes do Self e contribuir para uma visão mais despatologizante dos estados mentais e das praticas psicoterapêuticas.